terça-feira, 19 de novembro de 2013
Achei que era amor...
Como fui me enganar tanto assim? Um falso amor que teve
um triste fim.
Há um tempo, em uma festa entre amigos, eu, Maria Clara conheci
a minha maior decepção. Ele era tudo que todas queriam, só tinha um defeito que
depois de um tempo juntos eu iria descobrir.
Mas voltando a festa...
Eu estava lá sozinha, porque afinal minha amiga (a aniversariante)
não me disse que estava acompanhada naquela noite.
Quando já estava quase indo embora ELE apareceu, e
começamos a conversar. Até que achei fofinho no começo os erros de português
que ele cometia, mas vi que isso era constante. Para me pedir um beijo foi mais
ou menos assim:
- Mina mim da um beju ?!
E o pior de tudo estava por vir. Eu gostei dele! Mas
sabia que minha família não aprovaria de jeito nenhum. Como aceitar um rapaz
que não sabe nem me pedir um beijo?
O tempo foi passando, e eu gostando dele cada vez mais.
Ate que depois de um ano de namoro escondido, ele finalmente me pediu em
casamento, fiquei sem ação, e não sabia como contar isso para minha família. Senti-me
meio “Julieta”. Um belo dia ele apareceu na minha casa para falar com o meus
pais, ai já não tinha mais o que fazer. Só me restava orar para não falar
nenhuma asneira, mais isso foi em vão. Acho que ninguém teve um pedido que nem
o meu. Foi bem assim:
- Ó Tio , to
amando sua fia e quero muito que ela seje minha muié pra vida toda. O sinho tem
como mi dá a mão dela?
Minhas pernas tremeram e o pior é que não foi de emoção ,
o olhar do meu pai significou tanta coisa que o medo tomou conta de mim. Meu
pai não respondeu nada para ele , só levantou, olhou para minha mãe e depois me
perguntou se era uma pegadinha isso tudo.
Ah gente até agora não disse o nome dele é João Pedro.
Mas voltando ao meu pedido de casamento que não foi o
mais tradicional, mais foi o que eu tive.
E eu aceitei, contra a vontade da minha família. Fugi com
ele no outro dia e fomos morar na casa dos pais dele.
Nada era como eu sonhava, mas afinal para mim o que
importava era o tal amor que eu achei que ele tinha por mim.
Os anos foram passando e eu fui percebendo que ele não
mudava em nada. Eu ate tentava corrigi-lo mais ele ficava nervoso e me agredia.
Isso começou a ser constante e eu sempre justificava.
A vida me surpreendeu, eu estava grávida, e já não tinha
mais como voltar atrás, o jeito era encarar a realidade e tentar seguir em
frente da melhor maneira.
Quando nosso filho nasceu toda a família dele comemorou,
afinal era o primeiro neto. Mas faltava algo para minha felicidade completa, eu
tinha um filho lindo, mas não tinha o marido dos meus sonhos, e isso foi
piorando cada vez mais.
Quando nosso filho já ia completar sete anos eu achei que
era hora de voltar a falar com meus pais, afinal eles também tinham direitos
como avós.
João Pedro ficou furioso
e mais uma vez soltou suas pérolas.
- Num disse que
num queria você na casa deles com o meu fio? Por que oce num me obedece nunca muié? É tão difici oce
entende que eles num são gente boa pra fica perto do meu fio!
Não sei se fiquei
nervosa com o que ele me disse, ou com os erros que ele sempre cometia.
Mas mesmo assim continuei indo visitar meus pais, sempre
com muita cautela para João Pedro não desconfiar de nada.
Mas o inevitável aconteceu, certo dia estava voltando
para casa com meu pai, e meu marido chegou mais cedo sem me avisar. Quando vi
já era tarde. Foi uma briga danada, só tive tempo de correr com meu filho e
pedir ajuda, pois sabia que meu marido era violento e já havia me ameaçado
outras vezes. Fiquei em casa esperando ele chegar muito bravo e mais uma vez me
agredir. Só que dessa vez seria diferente, não aguentava mais apanhar e ser
humilhada. Coloquei o pequeno Miguel para dormir, e peguei uma arma que era do
meu pai na época que ele servia como policial.
Aquilo teria um fim naquela noite. Esperei a noite toda e
nada de João Pedro aparecer, confesso que fiquei preocupada, mas também fiquei
aliviada, mal sabia eu o que estava por vir.
No outro dia bem cedo arrumei meu filho para a escola e
fui fazer os serviços de casa. Quando escuto uma risada no meu portão, achei
que era minha sogra, como todos os dias ela me visitava, não fui olhar, achei
estranho, pois ninguém entrou. Até que fui ver o que estava acontecendo. Quando
cheguei ao portão havia um carro estranho na minha porta com uma moça dentro.
Ela me olhou estranho, e eu não entendi nada.
Quando de repente meu marido saiu do carro, achando que
eu estava no serviço. Ele não sabia o que fazer se entrava no carro e fugia, ou
se encarava de vez a situação.
Eu fiquei sem chão, não sabia o que fazer. Apenas uma
lágrima escorreu pelo meu rosto, senti meu coração apertar e uma raiva muito
grande tomou conta de mim. Não pensei em nada entrei e ele veio atrás dizendo
aquela típica frase:
- Num é nada disso que oce ta pensando, ela é só uma
amiga.
Eu não enxerguei mais nada, comecei a gritar e chorar e
ele já veio pra cima de mim, como sempre quis me bater. Fiquei cega, peguei a arma
e atirei.
Eu achei que era amor...
Como fui me enganar tanto assim? Um falso amor que teve
um triste fim.
Giulia Dreyer
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